CASTAS AUTOCTONAS DO DOURO: VALOR, DESAFIOS E OPORTUNIDADES
Um dos grandes atributos da região do Douro é a sua riqueza em castas tradicionais , muitas das variedades únicas, cultivadas exclusivamente nos seus territórios.
Neste artigo, falamos da importância desta diversidade para a valorização da identidade da região e mostramos-lhe quais os maiores desafios e oportunidades associados à preservação destas castas autóctones .
O valor das castas tradicionais do Douro
Portugal é um país rico em castas autóctones, com cerca de 250 variedades espalhadas pelas suas regiões vitivinícolas.
No Douro, esta diversidade ganha uma expressão única, com castas que se adaptam perfeitamente às condições particulares do terroir local. Esta casta não é apenas um traço de identidade da região, mas também um dos segredos por detrás dos vinhos com o carácter e os prejuízos que o Douro oferece.
Entre as castas mais conhecidas, destacam-se a Touriga Nacional, a Touriga Franca, a Tinta Barroca, a Tinta Roriz e a Tinto Cão, entre as castas tintas; e a Malvasia Fina, a Viosinho, a Rabigato ou a Gouveio, entre as uvas brancas.
Muitas destas castas são utilizadas na produção dos famosos vinhos do Porto, mas também nos vinhos de mesa. Cada uma traz características únicas que, trabalhadas a solo ou combinadas em blends, permitem aos enólogos criar vinhos singulares, que refletem os terroirs, a história e as tradições do Douro.
São as características destas castas tradicionais que conferem aos vinhos do Douro uma identidade única, diferenciando-os das propostas de outras regiões vitivinícolas. Por esse motivo, assumem um papel crucial na valorização e reconhecimento da região do Douro junto dos apreciadores de vinho de todo o mundo.
Os desafios que as castas do Douro enfrentam
Apesar do seu valor inestimável, as castas do Douro estão sujeitas a vários desafios que representam uma ameaça à sua preservação.
A começar pelas alterações climáticas que já afectam as paisagens dos socalcos do Douro. O aumento das temperaturas, a falta de água e a ocorrência de eventos climáticos extremos têm impacto na maturação das uvas e na composição dos solos, o que tem exigido adaptações na gestão das vinhas.
Por outro lado, a produção de vinhos de elevada qualidade a partir de castas tradicionais pode ser mais dispendiosa, devido à necessidade de cuidados e práticas vitícolas específicas e ao menor rendimento que caracterizam algumas destas castas. Esta pressão económica pode levar os produtores a optar por castas mais produtivas e menos exigentes, pondo em causa a preservação das castas autóctones.
As oportunidades de valorização que estão ao alcance da região
Há, no entanto, produtores da região, entre os quais o Grupo Kopke , que optam por ver o copo meio cheio (uma abordagem especialmente interessante se nesse copo houver Vinho do Douro), estando atentos às oportunidades que as castas tradicionais apresentam.
Originalidade e autenticidade
Num mercado global competitivo, há lugar para os vinhos do Douro se destacarem, não só pela sua qualidade, mas também pela sua originalidade. Muitas das castas tradicionais da região são ainda pouco conhecidas fora de Portugal, surgindo aqui a possibilidade de apresentar uma proposta única, de valor acrescentado para um consumidor mais curioso e exigente.
Esta descoberta é cada vez mais valorizada pelos apreciadores que procuram experiências únicas e diferenciadas.
Sustentabilidade e Inovação
A conservação e promoção das castas tradicionais do Douro são também uma forma de preservação do património cultural e vitivinícola da região. Ao optar por estas variedades, os produtores seleccionaram para a sustentabilidade da viticultura local, mantendo vivas técnicas ancestrais. Aliando práticas sustentáveis a algumas técnicas modernas de vinificação, é hoje possível aumentar a resiliência das vinhas e melhorar a qualidade dos vinhos, mantendo o foco nas castas tradicionais.
Enoturismo
O turismo enológico é outra oportunidade significativa para promover as castas tradicionais. Há um interesse crescente por parte dos turistas que procuram visitar quintas, passear pelas vinhas, fazer provas de vinhos e participar em muitas outras experiências que permitem atestar a singularidade do terroir e as propostas do Douro.
O que está a ser feito pela preservação das castas tradicionais do Douro?
Para proteger o património e o ecossistema da região, assim como as tradições durienses, na vinha e na adega, e de forma a potenciar o valor deste activo, há uma série de medidas que já estão a ser renovadas por vários produtores, entre as quais:
> estudos para aumentar o conhecimento sobre as castas tradicionais do Douro
> Tentativa de recuperação de castas tradicionais em vias de extinção
> estudos para identificar as castas mais resistentes às alterações climáticas
> formas de combinar e reinterpretar as técnicas tradicionais com o apoio de tecnologias inovadoras
No caso do Grupo Kopke , a aposta na preservação das castas tradicionais é visível em várias ações específicas. O grupo mantém uma área significativa de vinhas velhas, onde é possível encontrar um elevado número de castas, algumas pouco conhecidas. Estas vinhas são responsáveis pela produção de vinhos de qualidade superior. Um desses exemplos é a vinha do Oratório, ex-libris da Quinta da Boavista, que reúne 56 castas distintas.
Procurando manter e proteger este património, o Grupo Kopke faz a georreferenciação de todas as plantas, com a respetiva identificação de cada casta específica. Esta abordagem permite garantir, no momento da reposição de videiras mortas, a continuidade da casta, perpetuando assim o «terroir» da mesma vinha.
Outro contributo importante é o investimento que o grupo tem feito no lançamento de novos vinhos de castas tradicionais e minoritárias, como o Rufete, o Tinto Cão Rosé, o Donzelinho Tinto, o Folgasão e o Esgana Cão.
Para viabilizar estes projetos, a viticultura foi selecionada nas vinhas velhas, algumas daquelas castas ditas minoritárias, confirmou o seu potencial através de microvinificações e apostado em novas plantações destas castas, numa escala maior.
Esta combinação de tradição e inovação garante não só a preservação, mas também a valorização e o renascimento das castas tradicionais do Douro.
Um património secular de olhos postos no futuro
Todos estes esforços para preservar e promover as castas tradicionais do Douro têm como objectivo não só proteger um património cultural único e de valor inestimável, mas também
posicionar a região como um símbolo de qualidade e de danos no mundo dos vinhos.
Os terroirs distintos, a diversidade de castas, as vinhas centenárias e a colaboração única entre o homem e a natureza (da qual resultou uma paisagem de socalcos arrebatadora, já elevado ao estatuto de património da humanidade), são tudo tesouros que queremos preservar e levar para o futuro.
Na Kopke Group , estamos empenhados nesta missão e contribuir para a escrita de um novo capítulo na história dos vinhos do Douro.
Se estiver interessado em conhecer esta história única que as castas tradicionais desta região têm para contar, veja as sugestões que temos para si na nossa Uva Wine Shop.